
Anos de luta, silenciamento da gestão e nenhuma proposta concreta: o que realmente aconteceu na reunião com o prefeito de Afogados da Ingazeira
O SINDUPROM-PE esteve reunido com o prefeito de Afogados da Ingazeira após anos de tentativas frustradas de diálogo, inúmeros ofícios protocolados sem nenhuma resposta e uma pauta que se arrasta há mais de dois anos sem qualquer avanço real. A reunião era aguardada pela categoria como uma oportunidade de finalmente destravar problemas graves que atingem diretamente os professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais.
Apesar disso, a gestão chegou sem apresentar absolutamente nada de concreto.
1. Anos de luta ignorados pela gestão
O sindicato vem há muito tempo solicitando diálogo, enviando documentos, apresentando cálculos e cobrando respostas.
Ao longo de vários anos:
nenhum ofício foi respondido;
o prefeito sempre se esquivou das demandas;
nenhuma audiência foi concedida para tratar da pauta da educação.
Somente agora, diante da pressão e da mobilização da categoria, o gestor assumiu um compromisso verbal de que, a partir de agora, responderá aos ofícios do sindicato.
Mas ainda não sabemos se isso se cumprirá, já que esse compromisso vem após um longo histórico de silêncio e omissão.
2. Gestão chegou sem proposta e sem estudo de impacto financeiro
Mesmo após anos de cobrança, a gestão não levou nenhuma proposta pronta, especialmente sobre o ponto mais aguardado pela categoria:
a regularização da hora-aula dos professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais, cuja defasagem é reconhecida inclusive pela própria prefeitura.
A correção da hora-aula deveria vir acompanhada do estudo de impacto financeiro, mas:
nenhum dado foi apresentado;
nenhum cálculo foi mostrado;
nenhuma simulação foi discutida;
a gestão ainda disse que iria procurar o contador para fazer algo que já deveria estar pronto há muito tempo. Ou seja: anos de espera e a gestão não tinha nada preparado.
3. Tentativa de suplementação retirando recursos da Educação: um ataque grave
A gestão ainda levantou a possibilidade de enviar à Câmara uma suplementação orçamentária retirando recursos da Educação, para resolver problemas administrativos criados pelo próprio governo.
Se essa medida for adiante:
👉 representa um ataque direto à educação pública, porque desvia dinheiro que deveria estar garantindo valorização profissional, piso, carreira e qualidade nas escolas.
O SINDUPROM-PE deixa claro que é totalmente contrário a qualquer tentativa de tirar dinheiro da Educação para cobrir falhas administrativas.
Essa prática compromete o Fundeb, enfraquece o sistema educacional e prejudica toda a comunidade escolar.
4. Dois únicos pontos discutidos e sem avanço
A reunião, que deveria atender a uma pauta acumulada por anos, acabou reduzida a apenas dois pontos — ambos sem avanço:
a) Regularização da hora-aula
A gestão reconhece a defasagem, mas não apresentou a solução e ainda dependerá do contador para fazer um cálculo que já deveria estar pronto há muito tempo.
b) Debate sobre suplementação
A prefeitura tenta viabilizar mecanismos junto à AMUPE para justificar a retirada de recursos da Educação, alegando dificuldades geradas por uma alíquota que, no caso de Afogados da Ingazeira, chegava a mais de 57% da folha — valor totalmente insustentável e que nunca poderia ter recaído sobre os professores.
Nada além disso foi discutido.
Diversos itens importantes da pauta ficaram de fora por falta de tempo e pelo volume acumulado de dois anos sem diálogo real.
5. O compromisso de nova reunião, mas ainda sem garantias
O prefeito afirmou que:
conversará com o contador até quarta-feira;
apresentará algo concreto na próxima reunião, marcada para sexta-feira ou, no mais tardar, segunda-feira.
O sindicato aguarda, mas mantém a postura de vigilância.
6. A posição do SINDUPROM-PE
O sindicato reafirma:
- Não aceitará nenhum ataque à educação pública;
- Não permitirá retirada de recursos do Fundeb para cobrir falhas administrativas da gestão;
- Não abrirá mão da regularização da hora-aula, com estudos reais e impacto financeiro;
- Continuará firme, mobilizado e combativo.
Afogados da Ingazeira precisa de gestão responsável, diálogo verdadeiro e valorização do magistério.
E esse compromisso passa, obrigatoriamente, por respeito aos profissionais da Educação e isso o SINDUPROM-PE continuará exigindo.
Dinalva Lima Pereira Vieira de Mello
Coordenadora Geral do SINDUPROM-PE
📸 Imagens da reunião



